Uma breve história das linguagens de programação: da linguagem de máquina às ferramentas atuais
Da linguagem de máquina e do FORTRAN ao Python, JavaScript e Rust, conheça a evolução das linguagens de programação e por que existem tantas.
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Quando você toca em um botão de um aplicativo, o computador segue instruções escritas por pessoas. As linguagens de programação são as ferramentas que usamos para expressar essas instruções. Elas mudaram ao longo do tempo para facilitar diferentes tipos de trabalho: cálculos, registros comerciais, sites, pesquisa científica e muito mais.
Essa história não é uma fila em que cada linguagem nova substitui a anterior. É mais como uma caixa de ferramentas que continua crescendo. Linguagens antigas ainda são úteis, enquanto outras surgem para resolver problemas diferentes ou tornar o trabalho mais claro e seguro.
Primeiro: o que é uma linguagem de programação?
Uma linguagem de programação é uma forma estruturada de descrever instruções que um computador consegue executar. Ela tem regras para palavras, símbolos e ordem — como a gramática de uma língua falada, mas com bem menos espaço para ambiguidades.
No fim, os computadores trabalham com estados elétricos muito simples, representados por bits. As pessoas podiam escrever instruções quase diretamente nesses bits, mas isso era difícil e dependia de uma máquina específica. Um compilador ou interpretador ajuda a traduzir uma linguagem mais legível em etapas que o computador consegue executar.

Em geral, um compilador prepara o programa antes da execução. Um interpretador pode executar as instruções enquanto o programa está rodando. Sistemas reais podem combinar as duas abordagens, mas a ideia básica é a mesma: a pessoa descreve uma tarefa, um software a traduz e o computador segue as instruções resultantes.
Antes das linguagens modernas: instruções próximas da máquina
Os primeiros computadores precisavam receber instruções muito específicas sobre pequenas operações. A linguagem de máquina representa essas operações com números que o processador entende. A linguagem assembly dá nomes curtos a muitas dessas operações, facilitando um pouco a leitura.
Ainda era um trabalho difícil. Um programa escrito para um computador podia não funcionar em outro, e até uma pequena mudança exigia conferir muitos detalhes de baixo nível. Quando os computadores começaram a atender cientistas, empresas e universidades, as pessoas quiseram linguagens que descrevessem o problema de forma mais direta.
Anos 1950: linguagens para ciência, negócios e ideias simbólicas
O FORTRAN, cujo nome vem de “Formula Translation” (tradução de fórmulas), foi criado para cálculos científicos e de engenharia. A equipe da IBM o desenvolveu nos anos 1950, e seu primeiro lançamento comercial aconteceu em 1957. Com ele, programadores podiam escrever expressões matemáticas que seriam traduzidas em instruções eficientes para a máquina.
O COBOL foi pensado para dados de negócios, como contas, folhas de pagamento e cadastros. O LISP, apresentado em 1958, trabalhava com listas e expressões simbólicas, o que o tornou útil nas primeiras pesquisas de inteligência artificial. O ALGOL ajudou pesquisadores a descrever algoritmos de maneira mais sistemática e influenciou o desenho de linguagens posteriores.

Este cartão continha parte de um programa em FORTRAN IV usado no centro regional de computação da Universidade de Copenhague. Imagem dedicada ao domínio público por Hansjorn; fonte e detalhes.
Essas linguagens atendiam a tarefas diferentes. A grande mudança foi permitir que as pessoas expressassem fórmulas, registros ou regras simbólicas sem especificar cada pequena operação necessária ao computador.
Anos 1960 e 1970: a programação se torna uma atividade mais ampla
O BASIC foi criado em 1964, na Universidade de Dartmouth, para tornar a computação acessível a estudantes e iniciantes. As pessoas podiam usá-lo por meio de computadores compartilhados e terminais, sem precisar ter uma máquina só para si.
Outras linguagens exploraram novas maneiras de organizar programas. O Pascal incentivava estruturas claras e ficou popular no ensino. O Smalltalk desenvolveu a ideia de construir programas com objetos que reúnem informações e ações. Criado no Bell Labs no início dos anos 1970, o C ofereceu uma forma compacta de criar sistemas operacionais e outros softwares que precisavam controlar o computador de perto. Em 1974, os pesquisadores da IBM Donald Chamberlin e Raymond Boyce descreveram o SEQUEL, que mais tarde se tornou o SQL, uma linguagem para consultar informações organizadas em tabelas.
A primeira edição de The C Programming Language, publicada em 1978 por Brian Kernighan e Dennis Ritchie, tornou-se um guia muito usado. O C também influenciou várias linguagens posteriores, entre elas C++ e Java.

A máquina é identificada como provavelmente uma Knight, fabricada pelo MIT. Foto de Jszigetvari, CC BY-SA 3.0; fonte e detalhes.
Anos 1980 e 1990: computadores pessoais e a web
Com a popularização dos computadores pessoais, surgiram linguagens e ferramentas para uma variedade maior de pessoas e projetos. O C++ acrescentou recursos para organizar programas maiores. O Perl se tornou útil no processamento de texto e na administração de sistemas.
O Python começou no início dos anos 1990 com foco em código fácil de ler. O Java foi projetado para rodar em diferentes tipos de computador por meio de um ambiente compartilhado. O JavaScript chegou aos navegadores em 1995 e permitiu que páginas respondessem a cliques e outras ações.
Essas linguagens não fazem todas a mesma coisa. Um navegador, um sistema bancário e um programa científico têm necessidades diferentes, então seus desenvolvedores costumam escolher ferramentas distintas.
Dos anos 2000 até hoje: uma caixa de ferramentas maior
As linguagens continuam evoluindo junto com celulares, serviços web, jogos, ciência de dados e dispositivos conectados. C# e Java atendem a muitos tipos de aplicativos e sistemas empresariais. Go é usado em serviços de rede e infraestrutura. Rust prioriza desempenho e ajuda a evitar certas classes de erros de memória. Swift e Kotlin são escolhas comuns para aplicativos da Apple e do Android, enquanto TypeScript acrescenta verificações úteis a projetos JavaScript.
Não existe uma única “melhor” linguagem para toda tarefa. Uma linguagem conveniente para criar um site pode não ser a melhor para controlar um dispositivo pequeno ou executar um grande cálculo científico.
Linguagens diferentes podem organizar a mesma tarefa de maneiras diferentes
As linguagens também diferem na forma como orientam as pessoas a pensar sobre um problema. Essas abordagens são chamadas de estilos ou paradigmas de programação. Elas podem se misturar: muitas linguagens modernas oferecem mais de uma.

Uma comparação simples é planejar uma refeição:
- Procedural: escrever as etapas em ordem — lavar, cortar, aquecer e servir.
- Orientado a objetos: organizar o trabalho em torno de coisas com funções, como forno, receita e ingredientes.
- Funcional: transformar ingredientes por uma sequência de operações, buscando resultados previsíveis.
- Declarativo: dizer o que você quer, como uma lista de ingredientes ou uma busca no banco de dados, e deixar a ferramenta descobrir as etapas.
São ideias gerais, não categorias rígidas. Conhecê-las ajuda a entender por que duas linguagens podem parecer bem diferentes e ainda assim resolver problemas parecidos.
Uma linha do tempo das linguagens mais influentes

As datas indicam marcos importantes, não o momento em que cada ideia surgiu pela primeira vez nem quando uma linguagem antiga deixou de ser usada. Muitas linguagens têm vida longa e aproveitam ideias umas das outras.
Por que existem tantas linguagens?
Tarefas diferentes exigem escolhas diferentes. Uma linguagem pode facilitar fórmulas matemáticas, registros comerciais, páginas web, gerenciamento de memória ou prevenção de erros comuns. Algumas priorizam experimentação rápida; outras, velocidade, compatibilidade ou verificações rigorosas.
As linguagens também refletem as pessoas e comunidades que as usam. Estudantes, pesquisadores, empresas, entusiastas e colaboradores de projetos abertos ajudam a definir quais ferramentas crescem e como elas mudam. Muitas linguagens novas combinam ideias que funcionaram bem em outras.
A ideia principal
Linguagens de programação são camadas de comunicação entre pessoas e computadores. Com o tempo, elas permitiram descrever objetivos sem tanta preocupação com os detalhes de cada máquina. Elas não eliminaram a complexidade: deram maneiras melhores de organizá-la.
Para conhecer a evolução da programação — dos cabos e chaves aos aplicativos —, leia Uma breve história da programação de computadores. Para saber mais sobre o campo que inspirou as primeiras máquinas Lisp, veja Uma breve história da inteligência artificial.
Fontes e leituras adicionais
- A história do FORTRAN — IBM
- Linha do tempo de software e linguagens de programação — Computer History Museum
- Thomas E. Kurtz e a criação do BASIC — Computer History Museum
- LISP e o início da inteligência artificial — Computer History Museum
- História das linguagens de programação — Computer History Museum Software Preservation Group
- SEQUEL: uma linguagem estruturada de consultas — IBM Research (1974)
- História do Python — documentação do Python
- História do JavaScript — MDN Web Docs
- A linguagem Rust — site oficial do projeto
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