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O Que É o macOS? Um Guia Simples do Sistema Operacional de Todo Mac

Um guia simples e sem jargão sobre o macOS, o sistema operacional de todo Mac. Veja como ele funciona, como a empresa que Steve Jobs criou depois de sair da Apple o moldou, por que ele é um Unix de verdade e como o Mac trocou de processador quatro vezes.

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Todo computador Mac, do fininho MacBook Air ao potente Mac Studio, roda o mesmo sistema operacional: o macOS. É ele que desenha o papel de parede colorido, a fileira de ícones de apps na parte de baixo da tela e os botõezinhos vermelho, amarelo e verde em cada janela.

Um sistema operacional é o programa principal que comanda o computador: ele divide o processador e a memória entre os apps, mantém os arquivos organizados, conversa com os dispositivos e dá a você um jeito de controlar tudo isso. O macOS é feito pela Apple e só vem nos computadores da própria Apple. Este artigo explica, em linguagem simples, o que é o macOS, como ele é montado, de onde ele veio e o que o torna diferente do Windows.

Um passeio pela área de trabalho do Mac

Se você já usou Windows, o Mac vai parecer familiar, mas com as coisas em outros lugares:

Um passeio pela área de trabalho do Mac, num desenho simplificado. No topo da tela fica a barra de menus, com o menu Apple à esquerda (para ajustes, reiniciar e desligar), depois os menus do app em uso, como Finder, Arquivo, Editar, Visualizar e Ir, e à direita o Wi-Fi, a Central de Controle e o relógio. No meio há uma janela do Finder chamada Documentos, com arquivos chamados Carta.pages, Orçamento.numbers, Receitas.pdf e uma pasta Fotos; no canto superior esquerdo ficam os botões de fechar, minimizar e tela cheia. Embaixo fica o Dock, com os seus apps favoritos e abertos. Diferente do Windows, a barra de menus fica no topo da tela e muda de acordo com o app que você está usando
  • A barra de menus fica no topo da tela. Os menus dela (Arquivo, Editar, Visualizar...) pertencem ao app que você está usando agora e mudam quando você troca de app. No Windows, cada janela tem os seus próprios menus.
  • O menu Apple (o logotipo da Apple no canto superior esquerdo) é onde ficam os Ajustes do Sistema, Reiniciar e Desligar.
  • O Dock, embaixo, guarda os seus apps favoritos. Um pontinho debaixo de um ícone quer dizer que o app está aberto.
  • O Finder é o app do Mac para navegar por arquivos e pastas, como o Explorador de Arquivos do Windows. O ícone de rostinho sorridente é sempre o primeiro do Dock.
  • Os botões da janela ficam no canto superior esquerdo: o vermelho fecha, o amarelo minimiza para o Dock e o verde faz a janela ocupar a tela inteira.
  • A tecla Command (⌘) faz no Mac o que a tecla Ctrl faz no Windows: ⌘C copia, ⌘V cola, ⌘Q fecha um app.

De onde veio o macOS

A história do macOS são, na verdade, duas histórias que se juntaram.

A primeira é a do Macintosh original, lançado pela Apple em janeiro de 1984. Ele foi um dos primeiros computadores acessíveis com mouse, janelas e ícones em vez de comandos digitados. O seu sistema operacional (mais tarde chamado Mac OS) era amigável, mas nos anos 1990 já mostrava a idade: ele não conseguia impedir que um único app com problema travasse o computador inteiro, e os travamentos eram comuns. A Apple tentou por anos construir um substituto moderno e não conseguiu.

A segunda história é de Steve Jobs, cofundador da Apple. Depois de ser afastado da Apple em 1985, ele fundou uma nova empresa de computadores chamada NeXT. O sistema operacional dela, o NeXTSTEP (1989), estava anos à frente do seu tempo, e o primeiro navegador e o primeiro servidor da web do mundo foram escritos num computador da NeXT.

No fim de 1996, a Apple decidiu comprar a NeXT, e Steve Jobs voltou. O NeXTSTEP virou a base do novo Mac OS X (o "X" é o número dez em algarismos romanos), lançado em março de 2001.

De onde veio o macOS, como uma árvore genealógica. Três ancestrais formam o Darwin: o BSD Unix, da Universidade de Berkeley, para arquivos, rede e comandos Unix; o Mach, da Carnegie Mellon, para memória e execução de programas; e o NeXTSTEP, da NeXT de Steve Jobs, de 1989, para o kit de apps e ideias do Finder. O Darwin é o núcleo de código aberto da Apple, de 2000, com o kernel XNU. Do Darwin nascem o macOS, o iOS, o iPadOS, o watchOS, o tvOS e o visionOS. A Apple comprou a NeXT em 1996 e transformou o NeXTSTEP no Mac OS X em 2001. O sistema do iPhone, lançado em 2007, nasceu do mesmo núcleo

O próprio NeXTSTEP foi construído com dois ingredientes mais antigos, ambos de universidades:

  • BSD Unix, da Universidade da Califórnia em Berkeley: uma versão do Unix com rede, arquivos e centenas de comandos.
  • Mach, da Universidade Carnegie Mellon: um projeto moderno para gerenciar a memória e rodar programas.

A Apple combinou os dois num núcleo de código aberto chamado Darwin. Quando criou o iPhone, em 2007, a Apple reaproveitou esse mesmo núcleo. Por isso, os sistemas do seu iPhone, iPad, Apple Watch, Apple TV e Vision Pro são todos primos próximos do macOS.

Como o macOS é construído

Como o macOS é construído, como uma pilha de camadas. No topo, os apps: Safari, Mail, Fotos, Finder e os apps que você instala. Abaixo deles, os frameworks: kits prontos como AppKit e SwiftUI para janelas, botões, texto, gráficos e som. Abaixo disso, o Darwin: o núcleo de código aberto, formado pelo kernel XNU, que combina Mach e BSD, e pelos drivers, chamados I/O Kit. Na base, o hardware: chips Apple silicon como M1, M2 e M3, ou processadores Intel mais antigos, além de memória, disco e tela. Num Mac, digitar uname no app Terminal mostra Darwin, o nome do núcleo de código aberto que fica por baixo
  • Apps são o que você usa: Safari, Mail, Fotos e tudo o que você instala.
  • Frameworks são os kits prontos da Apple. Quando um app precisa de um botão, de um menu ou de uma fonte, ele pega emprestado de um framework, e é por isso que os apps do Mac têm aparência e comportamento parecidos. Os desenvolvedores escrevem apps para Mac principalmente em Swift e, nos apps mais antigos, em Objective-C (veja O Que É a Linguagem de Programação Swift? e O Que É a Linguagem de Programação Objective-C?).
  • Darwin é o núcleo. O coração dele é o kernel, chamado XNU (um nome de brincadeira que quer dizer "X is Not Unix", ou "X não é Unix"), que combina Mach e BSD, mais um sistema de drivers chamado I/O Kit.
  • Hardware: hoje, isso quer dizer os chips da própria Apple.

Um Unix de verdade por baixo

Eis algo que muitos donos de Mac não sabem: o macOS é oficialmente um sistema Unix. A Apple o certifica junto ao The Open Group, a organização dona da marca UNIX, desde o Mac OS X Leopard (2007).

Isso quer dizer que o app Terminal, presente em todo Mac, dá acesso ao mesmo tipo de linha de comando usado em servidores Linux e no Unix original dos anos 1970. Comandos como ls, cd, grep e ssh funcionam do mesmo jeito que no Linux. É um dos motivos de o Mac ser popular entre programadores: eles podem escrever código num Mac e rodá-lo em servidores Linux com poucas surpresas.

Os ancestrais ainda estão no código

A Apple publica o código-fonte do kernel do Darwin, então qualquer pessoa pode lê-lo. Baixamos o código e procuramos em cada arquivo os nomes que aparecem nos avisos de direitos autorais:

Os ancestrais ainda estão no código. Arquivos do código do kernel do macOS 26, com 5.698 arquivos no total, que citam cada ancestral, contados para este artigo. Universidade de Berkeley, BSD, para rede, arquivos e as chamadas de sistema Unix: 445 arquivos. Carnegie Mellon, Mach, para memória, tarefas e mensagens entre programas: 292 arquivos. NeXT Computer, a empresa de Steve Jobs nos anos 1990, comprada pela Apple: 168 arquivos. Procuramos em todos os arquivos os nomes que aparecem nos avisos de direitos autorais. Muitos arquivos são dos anos 1980 e começo dos 1990 e ainda fazem parte de todo Mac hoje

No kernel do macOS Tahoe 26 (2025), 445 arquivos ainda dão crédito a "The Regents of the University of California" (o BSD Unix de Berkeley), 292 à Carnegie Mellon (Mach) e 168 à NeXT Computer. Código escrito décadas atrás em duas universidades e na segunda empresa de Steve Jobs ainda roda dentro de todo Mac.

Também medimos quanto o kernel cresceu desde 2001:

O kernel do Mac, de 2001 a 2025. Linhas de texto no código do kernel XNU que a Apple publicou para cada versão do macOS, contadas para este artigo. 10.0, de 2001: 0,96 milhão de linhas. 10.4, de 2005: 0,95 milhão. 10.6, de 2009: 1,33 milhão. 10.8, de 2012: 1,40 milhão. 10.10, de 2014: 1,46 milhão. 10.12, de 2016: 1,50 milhão. 10.15, de 2019: 1,91 milhão. 11, de 2020: 1,96 milhão. 14, de 2023: 2,24 milhões. 26, de 2025: 2,51 milhões. Isto é só o kernel que a Apple publica. Muitos drivers e todos os apps e frameworks ficam separados. Para comparar, o kernel Linux, que inclui a maioria dos seus drivers, tem mais de 42 milhões de linhas

O kernel passou de cerca de 1 milhão de linhas no Mac OS X 10.0 para cerca de 2,5 milhões no macOS 26. Parece pouco perto dos 42 milhões do kernel Linux, mas a comparação não é justa: o Linux coloca milhares de drivers de hardware dentro do kernel, enquanto a maioria dos drivers do Mac fica em outro lugar. E o kernel é só uma pequena parte do macOS. Os apps e frameworks por cima dele são muito maiores, e a maioria deles não tem código aberto.

Quatro famílias de processadores, um Mac

O processador é o chip que de fato roda os programas, e cada família de processadores entende a sua própria "língua" de instruções. Surpreendentemente, o Mac já trocou de família de processadores três vezes:

Quatro famílias de processadores, um Mac. 1984: Motorola 68000, o primeiro Macintosh. 1994: PowerPC, feito com IBM e Motorola. 2006: Intel, os mesmos chips dos PCs com Windows. 2020: Apple silicon, chips da própria Apple, como o M1. O Rosetta traduzia apps antigos para continuarem funcionando, do PowerPC para a Intel e da Intel para o Apple silicon. Cada troca obrigou todos os apps a serem refeitos. O tradutor Rosetta, da Apple, em 2006 e de novo em 2020, deixou os apps antigos rodarem enquanto isso. O macOS Tahoe 26, de 2025, é a última versão para Macs com Intel

Cada troca obrigou todos os apps a serem refeitos para o chip novo. Para manter os apps antigos das pessoas funcionando nesse meio-tempo, a Apple criou o Rosetta, um tradutor (com nome inspirado na Pedra de Roseta) que converte as instruções de um app na hora. Ele foi usado na mudança para a Intel em 2006, e o Rosetta 2 na mudança para os chips da própria Apple em 2020.

A troca mais recente, para o Apple silicon (o M1 em 2020, seguido pelo M2, M3 e chips posteriores), foi um grande sucesso: os novos Macs eram rápidos, frios, silenciosos e com bateria muito mais duradoura. Como usam o mesmo tipo de projeto de chip dos iPhones, eles conseguem até rodar muitos apps de iPhone e iPad. A Apple já disse que o macOS Tahoe 26 (2025) é a última versão compatível com Macs com processadores Intel.

De grandes felinos a lugares da Califórnia

Toda versão do macOS tem um nome, que a Apple usa mais do que o número:

De grandes felinos a lugares da Califórnia. As versões do Mac OS X tinham nomes de grandes felinos: 10.0 Cheetah (guepardo), 2001; 10.1 Puma, 2001; 10.2 Jaguar, 2002; 10.3 Panther (pantera), 2003; 10.4 Tiger (tigre), 2005; 10.5 Leopard (leopardo), 2007; 10.6 Snow Leopard (leopardo-das-neves), 2009; 10.7 Lion (leão), 2011; 10.8 Mountain Lion (puma), 2012. Depois vieram lugares da Califórnia: 10.9 Mavericks, 2013; 10.10 Yosemite, 2014; 10.11 El Capitan, 2015; 10.12 Sierra, 2016; 10.13 High Sierra, 2017; 10.14 Mojave, 2018; 10.15 Catalina, 2019; 11 Big Sur, 2020; 12 Monterey, 2021; 13 Ventura, 2022; 14 Sonoma, 2023; 15 Sequoia, 2024; 26 Tahoe, 2025. Em 2016, o Mac OS X virou macOS. Em 2025, a Apple pulou da versão 15 para a 26, para o número combinar com o ano seguinte, como o ano-modelo de um carro
  • As nove primeiras versões tinham nomes de grandes felinos em inglês, do Cheetah (guepardo, 2001) ao Mountain Lion (puma, 2012).
  • Desde o Mavericks (2013), um famoso ponto de surfe, os nomes são de lugares da Califórnia, onde fica a sede da Apple.
  • Em 2016, o "Mac OS X" foi rebatizado de macOS, para combinar com iOS, watchOS e tvOS.
  • Em 2025, a Apple pulou direto do macOS 15 para o macOS 26, para que todos os seus sistemas tivessem um número igual ao do ano seguinte ao lançamento, como o ano-modelo de um carro.
  • Desde o Mavericks (2013), as novas versões do macOS são gratuitas.

Pelo caminho, o macOS trouxe recursos que hoje muita gente nem nota, como a busca Spotlight (2005), os backups do Time Machine (2007) e a Mac App Store (2011). Em 2019, a linha de comando padrão do Terminal mudou do bash para o zsh.

Quantos computadores são Macs?

Quantos computadores são Macs? Parcela dos computadores de mesa e notebooks com macOS, setembro de 2026. Estados Unidos 26,4 por cento, Reino Unido 24,6, mundo todo 16,7, Alemanha 16,2, Japão 15,0, Portugal 13,2, Brasil 7,9, Índia 6,7. Fonte: StatCounter Global Stats, que mede visitas a sites. Os Macs são mais comuns em países mais ricos, onde o preço mais alto pesa menos

No mundo todo, cerca de um em cada seis computadores de mesa e notebooks é um Mac, segundo a StatCounter, que mede os sistemas que as pessoas usam para visitar sites. Mas isso varia muito de país para país: cerca de um em cada quatro computadores nos Estados Unidos e no Reino Unido, cerca de 13% em Portugal, e menos de um em cada dez no Brasil e na Índia, onde os Macs são caros em comparação com os PCs com Windows.

O lado bom e o nem tanto

Por que as pessoas gostam do macOS:

  • É caprichado e coerente. Os apps têm aparência e funcionamento parecidos, e o sistema é projetado junto com o hardware.
  • Combina bem com o iPhone. Mensagens, fotos, senhas e o copiar e colar passam de um aparelho Apple para outro, e o AirDrop envia arquivos entre eles em segundos.
  • É Unix por baixo, o que os programadores adoram.
  • Menos vírus miram o Mac do que o Windows (embora os Macs não sejam imunes), e recursos como o Gatekeeper verificam os apps antes de abri-los.
  • Atualizações gratuitas por vários anos depois da compra.

Do que as pessoas reclamam:

  • Preço. Os Macs custam mais do que muitos PCs com Windows, e opções como mais armazenamento são caras.
  • Só em hardware da Apple. A licença do macOS só permite usá-lo em computadores da Apple, então você não pode instalá-lo num PC que já tem.
  • Menos jogos. Muitos jogos populares só são feitos para Windows.
  • Difícil de consertar ou ampliar. Na maioria dos Macs recentes, a memória e o armazenamento vêm soldados e não podem ser ampliados depois.
  • Macs antigos ficam para trás. Cada versão nova deixa de suportar modelos mais velhos, como está acontecendo agora com os Macs com Intel.

Um pequeno glossário

  • macOS: o sistema operacional da Apple para computadores Mac, chamado Mac OS X até 2016.
  • Mac OS: o sistema original do Macintosh, de 1984 até o Mac OS 9.
  • NeXTSTEP: o sistema operacional da NeXT, empresa de Steve Jobs, que virou a base do Mac OS X.
  • Darwin: o núcleo de código aberto do macOS (e do iOS).
  • XNU: o kernel do macOS, que combina Mach e BSD.
  • BSD: uma versão do Unix da Universidade da Califórnia em Berkeley.
  • Mach: um projeto de kernel da Universidade Carnegie Mellon.
  • Finder: o app do Mac para navegar por arquivos e pastas.
  • Dock: a fileira de ícones de apps na parte de baixo da tela.
  • Barra de menus: a barra no topo da tela com os menus do app atual.
  • Terminal: o app do Mac que dá acesso a uma linha de comando Unix.
  • Apple silicon: os chips de processador da própria Apple, como o M1.
  • Rosetta: o tradutor da Apple que deixa apps feitos para um processador antigo rodarem num novo.

Para encerrar

O macOS combina uma cara amigável, herdada do Macintosh de 1984, com um motor robusto por baixo: o Unix de Berkeley, o Mach da Carnegie Mellon e o NeXTSTEP da empresa que Steve Jobs criou quando saiu da Apple. Esse mesmo motor hoje move o iPhone e os outros aparelhos da Apple.

Da próxima vez que você vir aqueles botões vermelho, amarelo e verde, vai saber que há décadas de história da computação por trás deles, e parte dela continua lá, linha por linha, no código.

Obrigado pela leitura!

Conhece alguém que vai gostar? Mande para essa pessoa.

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